sábado, 3 de março de 2012

Lágrimas do Dragão - Dean Koonz


Livro: E tem outra coisa... - Dragon Tears
Autores: Dean Koonz
Editora: Record
Lançamento: 2003
Nota: 5 Golens Assassinos [1 a 5]
Sinopse da editora: Harry Lyon é um homem racional, um policial correto e metódico que se recusa a deixar o trabalho endurecer sua alma. Sua parceira, Connie Gulliver, ao contrário, sempre adorou o caos. Mas apesar de acreditar na ordem e na razão, um dia Harry se vê forçado a matar um homem, e a partir de então sua vida se transforma em um terrível pesadelo. Um mendigo misterioso, com olhos vermelhos, profere as palavras assombrosas que parecem prenunciar a morte de Harry: "Tique-Taque, Tique-Taque. Você vai estar morto dentro de dezesseis horas... Morto ao amanhecer... Morto ao amanhecer... Morto ao amanhecer..." Lágrimas do Dragão revela um lugar inimaginável, cheio de surpresas e perigos fatais, onde o mestre Dean Koontz constrói uma espantosa obra-prima de suspense arrepiante até o último momento.

Bom, pra quem já leu algum livro do tiozinho ai (Velocidade, Do Fundo dos Seus Olhos, ...) já sabe o que esperar, tensão, suspense do começo ao fim, surpresas a cada virada de página e um teco de espetacular, de mágico, de fuga da realidade.

O livro é muito bacana, totalmente viciante, numa narrativa rápida, desesperada, sem perda de tempo. A narrativa se faz por vários personagens, um nada convencional, e com nenhuma relação no começo. Mas cada um mostrando a sua perspectiva da estória, realmente é indispensável de se ter na coleção.

"As pessoas são estranhas com relação a um monte de coisas, uma delas é a comida. Um monte de gente guarda comida, não quer que você tenha nem um pouco - e depois jogam um bocado fora, em latas onde a comida foi deixada até feder e ser capaz de causar doenças. Se você derruba as latas pra pegar a comida antes que ela seja capaz de provocar doença, as pessoas veem correndo e gritando e caçando como se você fosse um gato ou coisa do tipo."

E na página 17:
"Nenhum sinal de tensão era visível em seu rosto bastante suave, e sua postura era relaxada - mas as mãos se fechavam com força dos lados do corpo, como se ele mal pudesse controlar a ânsia de atacar alguém. Seu sorriso vago reforçava o ar de ausência - mas o sorriso ia e vinha, oscilando incerto, um atestado sutil de seu tumulto interior."

Eu escolhi o livro porque a Isadora recomendou e pronto, mais um pra estante... Não teria nenhum personagem que eu gostaria de saber mais pois todos tem já sua estória relatada, de onde veio e tudo mais, criação de personagens nota 10...

O problema de se ler um livro desse é saber que coisas ruins acontecem com pessoas boas, não só com pessoas boas, mas invariavelmente acontece. E estamos caminhando para um mundo melhor ou um mundo cada vez mais incompreensível?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E tem outra coisa... - Eoin Colfer [Resenha]

Livro: E tem outra coisa... - And another thing...
Autores: Eoin Colfer
Editora: Record
Lançamento: 2011
Nota: 5 Dinamites pangaláticas [1 a 5]
Sinopse da editora: Fãs de todo o mundo estavam órfãos de novas aventuras dos personagens mais loucos da ficção científica desde que o último livro da série O Mochileiro das Galáxias foi escrito, em 1992.
Com a morte de seu autor, Douglas Adams, parecia absolutamente improvável que Arthur Dent, Ford Prefect, Tricia McMillan e Zaphod Beeblebrox voltassem a aprontar, depois de tantos anos perdidos no espaço, sem que ninguém tivesse notícias deles.
Mas, como a improbabilidade é o que move o universo de Adams, eis que surge Eoin Colfer para resgatar nossos heróis e metê-los em confusões ainda mais alucinantes ao lado de vogons, peixes-babel, deuses desempregados, computadores irascíveis e alienígenas que dedicam sua imortalidade a ofender todos os seres do Universo.
Seguindo de forma magistral o estilo característico de Douglas Adams e fazendo diversas referências aos cinco volumes da trilogia original, Colfer resgata o humor dessa fantástica série e apresenta um novo destino para os personagens mais amados da Galáxia.
Pegue sua toalha e aproveite esta hilariante aventura espacial. Mas, aconteça o que acontecer, não se esqueça: Não entre em pânico!

O que mais me chamou atenção na capa do livro foi o nome do autor, que não é o maluco do Douglas Adams, e sim o cara do Artemis Foul. Isso com certeza foi trabalho de um gerador de improbabilidade infinita...

O livro é uma agradável surpresa para os fãs que não estavam esperando mais livros da série e agora tem em mãos uma ótima continuação.

Eu escolhi esse livro por ter lido todos os 5 livros anteriores e por estar em promoção (obrigado a Patty por me ensinar a olhar para as prateleiras que estão em promoção).

Ótimo, nada menos que isso, mais uma viagem diretamente do mundo da lua, como dia um adolescente com o gravador do seu avô.

Senti muita falta do robô pessimista (ou depressivo) Marvin, que morreu, mas né - "Se algo estava fadado a não acontecer nunca, era certo que essa coisa se recusaria a não acontecer o mais rápido possível".

A leitura foi agradável e fascinante, o autor consegue manter os mesmos trilhos de Douglas Adams e adicionar dezenas de notas e comentários fantásticos que compõem uma atmosfera digna da série.

E na página 17:
"Essas desgraçadas, pensou o homem. Assim que deduziram que esse negócio de bater as asas afetava as coisas a um continente de distância, milhares de borboletas tinham se juntado e ficado malignas."

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Devoradores de Mortos - Michael Crichton [Resenha]


Livro: Devoradores de Mortos - Eaters of the Dead

Autor: Michael Crichton

Tradutor: Gilson B. Soares

Editora: Rocco

Ano: 1976

Nota: 3,5 Taças de hidromel

Sinopse da Editora: Michael Crichton apresenta em Devoradores de Mortos o mais antigo relato da vida dos vikings: o manuscrito do árabe Ibn Fdlan, de 922. Através deste documento, ele narra a vida desse povo de uma forma inédita, jamais vista pelos ocidentais. Ibn Fadlan relata uma batalha entre uma tribo viking e os monstros da névoa, os devoradores de mortos.

A história do livro se passa no ano de 922 e é a narrativa das desventuras Ahmad ibn Fadlan, um embaixador árabe na terra dos vikings.

É muito divertido ver o choque de duas culturas tão distintas, e de fato, enquanto boa parte da Europa afundava em fezes de ratos e edificada em uma estrutura social essencialmente ruralista e arcaica, a cidade de Bagdá contava com aproximadamente um milhão de habitantes, e era um polo de cultura, Filosofia e Ciência.

O mais encantador do livro é saber que o embaixador árabe realmente existiu. Michael Crichton propôs uma romanização moderada dos relatórios de viagem Fadlan ao califa al-Muqtadir. Estes documentos são muito importantes do ponto de vista histórico, pois figuram entre os poucos relatos do estilo de vida e da cultura dos povos nórdicos.

O livro é de leitura fácil, mas a constante interrupção com notas-de-rodapé pode irritar aqueles que se prenderem mais a narrativa, mas com certeza irá deliciar aqueles que estão interessados em detalhes históricos.

O fato de eu não mencionar nada sobre o enredo pode suscitar a ideia de que se trata de um conto tedioso, mas tanto isso não é verdade que “Devoradores de Mortos” inspirou um blockbuster hollywoodiano: “O 13° Guerreiro” com Antonio Banderas.

Diversão garantida.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Protocolo Bluehand: Alienígenas - Eduardo Spohr, Alexandre Ottoni e Deive Pazos [Resenha]


Livro: Protocolo Bluehand: Alienígenas
Autores: Eduardo Spohr, Alexandre Ottoni e Deive Pazos
Editora: Nerd Books
Lançamento: 2011
Nota: 2.5 Ovnis radioativos [1 a 5]
Sinopse da editora: O Protocolo Bluehand é um conjunto de diretrizes e conhecimentos que farão a diferença na subsistência e resistência contra os mais diversos perigos ignorados pelo senso comum social.
O codinome Bluehand nasceu no site Jovem Nerd como sinônimo de uma pessoa curiosa e interessada, o típico nerd, aquele sujeito que, por sua inteligência e sapiência, tornar-se-ia indispensável em uma situação de emergência.
No entanto, esse termo deve ser extrapolado acima de um único indivíduo, se a raça humana aspira sobreviver a um evento de proporções cataclísmicas. Quem devemos procurar em uma sociedade fragmentada pela obliteração de organizações políticas, civis e militares? Se você leu este livro, já sabe a resposta.

O livro chegou até aqui sugerido pelo Sarará vulgo Shakao que recomendou e disse: - "É muito bão." - mas não achei tão bom assim. O livro é muito informativo e bem pesquisado, mas longe de ser um guia definitivo para qualquer coisa.

A leitura é rápida e interessante, o livro é muito bem ilustrado e diagramado. Mas não chega a ser épico. A parte mais interessante do livro é o Apêndice 1 que trás os relatos de aparições e abduções ocorridas no mundo todo. O livro seria bem mais legal se fosse do avesso mesmo, com mais relatos e um apêndice dizendo como sobreviver...

Eu escolhi ler esse livro porque o tema sempre me atraiu e foi escrito também por Eduardo Spohr, duas ótimas razões...

E na página 17:
"Os humanoides são assim classificados por sua anatomia, semelhante à humana, com tronco, cabeça, duas pernas e dois braços. Eles são sem dúvida a espécie que mais fez contato com os terráqueos - pelo menos na era moderna - e é a campeã em relatos de avistações e abduções."

Bom, eu continuo querendo acreditar e você?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pequena Abelha - Chris Cleave [Resenha]


Livro: Pequena Abelha – The Other Hand

Autor: Chris Cleave

Tradutor: Maria Luiza Newlands

Editora: Intrínseca

Ano: 2010

Nota: 5 máscaras do Batman

Sinopse da Editora: Não queremos lhe contar O QUE ACONTECE neste livro. É realmente uma HISTÓRIA ESPECIAL, e não queremos estraga-la. AINDA ASSIM, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte:

Essa história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma dela precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa...

Depois de ler este livro, você vai quere comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como a narrativa se desenrola.


Este é um daqueles livros que te derrubam no chão e não param de chutar a sua cabeça até sua concepção de vida mudar, e seus velhos conceitos serem expurgados na forma de uma hemorragia nasal. De qualquer forma, acatando a solicitação da sinopse resolvi não falar da história diretamente. E do que vou falar então? Se eu não posso descrever o quadro então falarei das tintas e dos pincéis. Que tal?

O livro tem foco narrativo em primeira pessoa, que alterna entre duas personagens, eu já havia visto (lido na verdade) algo similar no livro “Meu Nome é Vermelho” de Orhan Pamuk (vencedor do Nobel de literatura de 2006), e excetuando estes dois livros, não li outros que adotem essa dinâmica.

Os personagens são tão absurdamente reais que você quase pode tocá-los, os degrades em tons de cinza estão todos ali. E muito por está habilidade de Chris Cleave de pintar personagens críveis, que você teme pela segurança das protagonistas.

A trama, embora simples, é bem tecida. Os pontos de virada e as motivações de cada personagem movimentam a história sem a lentidão arrastada dos livros clássicos, no entanto, não há aquela correria vazia dos livros atuais.

Agora não tenho muito mais o que falar sem dizer algo diretamente da história, mas só para deixar um gostinho, colocarei aqui um breve trecho (que não revela nada sobre a trama, fiquem tranquilos) que é um dos meus preferidos e por coincidência é da PÁGINA 17 do livro:

Nas pernas escuras da moça, havia muitas cicatrizes brancas pequeninas. E pensei: Será que estas cicatrizes estão no seu corpo inteiro, como as luas e as estrelas de seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço lhe que faça neste instante o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser um segredo, porque acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: “Eu sobrevivi”.