sexta-feira, 2 de maio de 2008

Filmes de gente fazendo ... filmes

Dois filmes que eu quero ver em breve nos cinemas brasileiros tem algumas coisas em comum. A primeira delas é que são filmes de gente fazendo filmes. A segunda é que os diretores de ambo são conhecidos por terem feitos clipes musicais.

O primeiro é Son of Rambow e conta a história de 2 amigos, um religioso e outro brigão, que depois de assistirem uma cópia do filme Rambo decidem fazer o seu próprio filme, "O filho do Rambow", onde vão resgatar Rambo. O diretor é Garth Jennings, que já dirigiu no cinema "O guia do mochileiro das galáxias", mas é mais conhecidos pelos seus clipes. É dele a caixinha de leite de Coffee & TV do Blur, e a criatividade de com 30 segundos de cena fazer o clipe de Imitation of Life do R.E.M..

Não sei se chega ao Brasil tão cedo, já que o filme estréia hoje nos Estados Unidos e é uma produção inglesa.

O segundo é Be Kind Rewind, onde numa locadora todos os filmes são apagados por um funcionário (Jack Black) imantado. Para fugir da falência e da reclamação dos clientes, eles decidem, refilmar todos os filmes. O filme é de Michel Gondry, que já dirigiu Natureza Quase Humana e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembraças (dois ótimos filmes com o roteiro do excelente Charlie Kaufman). Gondry também é conhecido pelos clipes que dirigiu, entre eles Everlong do Foo Fighters e Like a Rolling Stone dos Rolling Stones. Também é de Gondry a genial propaganda da Levi's do "watch pocket".

Trailer de Son of Rambow
Trailer de Be Kind Rewind

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Homem de Ferro

Depois de alguns livros e filmes antigos, vamos para algo novo. O primeiro filme de super-herói do ano. O Homem de Ferro.

Tenho que admitir que sou um viciado em quadrinhos, e isso afeta meu julgamento, já que achei Motoqueiro Fantasma um ótimo filme, contrariando todo mundo. Mas, fazer o que? É meu personagem favorito. O que não acontece com o Homem de Ferro

Pra ser bem sincero nem gosto muito do homem de ferro. Mas o filme ... não tem como não gostar, pra mim é o melhor filme de herói da Marvel, melhor que X-men (que eu sou fã), melhor que Blade (que é ruim), melhor que Quarteto Fantástico (que é pior) e melhor até que Motoqueiro Fantasma (ok, ok, eu sou fã e adorei, mas todo mundo achou ruim, fazer o que?).

Mas, o filme é bom por mérito da equipe, o elenco foi escolhido perfeitamente, o Robert Downey Jr. não interpreta Anthony Starks, ele É Anthony Starks, todas as características do quadrinho estão lá, a inteligencia estratégica, o jeito playboy, a arrogancia, a solidão, o senso de humor e tudo mais. Além dele, os desconhecidos personagens do mundo do homem de ferro estão bem caracterizados, Pepper Potts é a secretária atenciosa, Jim Rhodes, o amigo militar, Stane, empresário da empresa de Stark e inimigo. Até o segurança Happy Hogan que tem duas cenas discretíssimas está lá.

Além de tudo isso, o roteiro é perfeito, cada cena tem a sua razão de estar lá, as piadas são engraçadas, mérito da mesma equipe de roteiristas de Filhos da Esperança (Children of Men). Assim, o filme é bom tanto para quem quer ver o "latinha" (que é como o homem aranha o chama nos quadrinhos) voar, dar porrada e tudo mais, quanto para os fãs de quadrinhos, pois (assim como nos quadrinhos), o alter ego Tony Starks é o personagem principal. Um empresário bem sucedido, mas solitário, com escolhas difícies a serem feitas, longe de ser um bondoso herói, ele é um arquiteto que planeja todos os detalhes, com uma motivação, na maioria das vezes egoísta.

Aposto minhas fichas que o sucesso vai permitir que as continuações aconteçam, pois várias boas deixas estão no filme, desde a S.H.I.E.L.D., até a deixa de Jim Rhodes.

E se todas as indicações estiverem corretas, o segundo filme trará a melhor estória do personagem: "O demônio da garrafa", é esperar para ver.

domingo, 27 de abril de 2008

Fahrenheit 451 (filme)

Depois de ler, não teve como não reassistir o filme. Pois foi através dele que eu conheci o livro, e por falar em livros. A primeira cena mostra de forma bem interessante a queima deles. Apesar de ser diferente do original, a cena funciona muito bem para o cinema.

Apesar de não ser 100% fiel (e nenhuma adaptação vai ser) o filme transmite a idéia passada exatamente da mesma forma. Tudo bem que o filme foi lançado em 1966 e assistindo agora temos alguns constrastes interessantes. Por exemplo, na primeira cena, aparece um telefone, desses (que hoje são) bem antigos, e mais a frente no filme temos telefones mais sofisticados (cena onde Clarisse liga para os bombeiros). Mas nada disso muda o fato do filme mostrar visualmente aquilo que o livro nos faz imaginar.

É notável a falta de alguns personagens, a confrontação Beatty/Montag é diferente, mas algumas coisas compensam, a atriz que faz Clarisse e Linda (a esposa, que no livro se chama Mildred) é excelente, e a escolha dela interpretar as duas é fantástica. Os livros mostrados e citados no filme também foram escolhidos muito bem.

O filme e o livro são quase complementares, pois onde as vezes falta em um, o outro acaba compensando. Mas tenho que admitir, no final um livro acaba sendo importante para Montag, apesar de no filme ser um dos meus livros favoritos, o do livro é uma escolha genial e por isso tras um final notável (apesar de um pouco batido atualmente). Mas, é claro, não vou explicar, pois não quero estragar o final.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

No mesmo espírito de livro antigo com tema futurista (Admirável Mundo Novo é de 1932 e Fahrenheit 451 de 1953), em Fahrenheit 451 temos um futuro onde a "felicidade" reina, mas é claro, tudo tem seu preço.

Fahrenheit 451 é a temperatura em que o papel pega fogo, o que nos leva ao ponto principal do livro, os bombeiros. Mas eles tem uma função diferente neste mundo futurista, eles não mais apagam o fogo, e sim, ateam fogo, queimando os livros. Livros que são uma ameaça a "felicidade", e dessa maneira qualquer um em posse de livros é criminoso. É nesse cenário que encontramos Guy Montag, um bombeiro que tem sua vida mudada após encontrar uma moça, Clarisse, esquisita para os padrões, mas feliz, de uma maneira diferente. Ela faz a pergunta que muda a vida dele:

- "Você é feliz?"

Além de Montag e Clarisse, o livro é repleto de personagens interessantes, Mildred, esposa de Montag, é praticamente o oposto de Clarisse (uma idéia ótima foi usarem a mesma atriz para as duas personagens na versão cinematográfica). E o interessante capitão Beatty, personagem que tem uma semelhança com o Administrador de Admirável Mundo Novo. Além deles temos outros tantos, como Faber e o sabujo.

Como é de se esperar o livro mostra a real importância do livro, mesmo num futuro com a "família", uma mídia interativa (o provável futuro da televisão) tendo controle sobre as informações que chegam aos espectadores. Fato muito bem explicado nas frases do capitão Beatty:
"Se você não quiser que se construa uma casa, esconda os pregos e a madeira. Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum."

domingo, 20 de abril de 2008

Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley)


Depois de quase 10 anos ...

Lembro de ter lido este livro a muito tempo, e também lembrava da caracterização do futuro, onde haviam as várias castas, onde a moral e a ética eram totalmente diferentes, a clonagem era feita em escala industrial eentre outras coisas. E a lembrança que mais me espantava era a de que o livro tinha sido escrito em 1932, e contava de um futuro utópico, que hoje não parece ser tão utópico assim.

Relendo agora, o que me fascinou foram as inúmeras referências a Shakespeare, e talvez por eu ter lido vários dos livros citados. Mas o que me chamou atenção, foi o fato de num mundo perfeito, a arte tenha de ser abolida. Isso é interessante no livro, olhar para um mundo "avançado", aonde um selvagem é um dos poucos que realmente leu alguma coisa. E olhar como a falta de arte nos leva uma visão "civilizada", aonde as verdadeiras emoções são perigosas.

Foi bom eu reler o livro agora, pois várias referência fizeram muito mais sentido, como Ford, Pavlov e a vários personagens de Shakespeare. Mas me pergunto, se o livro fosse escrito hoje, quem seriam os referências deste mundo novo?

Se formos ver, talvez não estejamos tão longe de um "Admirável Mundo Novo", quanto tempo será que demora para termos uma droga perfeita, o tão necessário "soma"? Ou para que humanos sejam clonados? Ou sejamos todos condicionados? Ou será que já somos condicionados? A verdade é que estas perguntas não tem respostas e este é um livro que além de clássico, ainda hoje é moderno e levanta várias questões que ainda nos assombra. Mas a verdade, bem ..., a verdade são 64000 repetições.