segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

E tem outra coisa... - Eoin Colfer [Resenha]

Livro: E tem outra coisa... - And another thing...
Autores: Eoin Colfer
Editora: Record
Lançamento: 2011
Nota: 5 Dinamites pangaláticas [1 a 5]
Sinopse da editora: Fãs de todo o mundo estavam órfãos de novas aventuras dos personagens mais loucos da ficção científica desde que o último livro da série O Mochileiro das Galáxias foi escrito, em 1992.
Com a morte de seu autor, Douglas Adams, parecia absolutamente improvável que Arthur Dent, Ford Prefect, Tricia McMillan e Zaphod Beeblebrox voltassem a aprontar, depois de tantos anos perdidos no espaço, sem que ninguém tivesse notícias deles.
Mas, como a improbabilidade é o que move o universo de Adams, eis que surge Eoin Colfer para resgatar nossos heróis e metê-los em confusões ainda mais alucinantes ao lado de vogons, peixes-babel, deuses desempregados, computadores irascíveis e alienígenas que dedicam sua imortalidade a ofender todos os seres do Universo.
Seguindo de forma magistral o estilo característico de Douglas Adams e fazendo diversas referências aos cinco volumes da trilogia original, Colfer resgata o humor dessa fantástica série e apresenta um novo destino para os personagens mais amados da Galáxia.
Pegue sua toalha e aproveite esta hilariante aventura espacial. Mas, aconteça o que acontecer, não se esqueça: Não entre em pânico!

O que mais me chamou atenção na capa do livro foi o nome do autor, que não é o maluco do Douglas Adams, e sim o cara do Artemis Foul. Isso com certeza foi trabalho de um gerador de improbabilidade infinita...

O livro é uma agradável surpresa para os fãs que não estavam esperando mais livros da série e agora tem em mãos uma ótima continuação.

Eu escolhi esse livro por ter lido todos os 5 livros anteriores e por estar em promoção (obrigado a Patty por me ensinar a olhar para as prateleiras que estão em promoção).

Ótimo, nada menos que isso, mais uma viagem diretamente do mundo da lua, como dia um adolescente com o gravador do seu avô.

Senti muita falta do robô pessimista (ou depressivo) Marvin, que morreu, mas né - "Se algo estava fadado a não acontecer nunca, era certo que essa coisa se recusaria a não acontecer o mais rápido possível".

A leitura foi agradável e fascinante, o autor consegue manter os mesmos trilhos de Douglas Adams e adicionar dezenas de notas e comentários fantásticos que compõem uma atmosfera digna da série.

E na página 17:
"Essas desgraçadas, pensou o homem. Assim que deduziram que esse negócio de bater as asas afetava as coisas a um continente de distância, milhares de borboletas tinham se juntado e ficado malignas."

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Devoradores de Mortos - Michael Crichton [Resenha]


Livro: Devoradores de Mortos - Eaters of the Dead

Autor: Michael Crichton

Tradutor: Gilson B. Soares

Editora: Rocco

Ano: 1976

Nota: 3,5 Taças de hidromel

Sinopse da Editora: Michael Crichton apresenta em Devoradores de Mortos o mais antigo relato da vida dos vikings: o manuscrito do árabe Ibn Fdlan, de 922. Através deste documento, ele narra a vida desse povo de uma forma inédita, jamais vista pelos ocidentais. Ibn Fadlan relata uma batalha entre uma tribo viking e os monstros da névoa, os devoradores de mortos.

A história do livro se passa no ano de 922 e é a narrativa das desventuras Ahmad ibn Fadlan, um embaixador árabe na terra dos vikings.

É muito divertido ver o choque de duas culturas tão distintas, e de fato, enquanto boa parte da Europa afundava em fezes de ratos e edificada em uma estrutura social essencialmente ruralista e arcaica, a cidade de Bagdá contava com aproximadamente um milhão de habitantes, e era um polo de cultura, Filosofia e Ciência.

O mais encantador do livro é saber que o embaixador árabe realmente existiu. Michael Crichton propôs uma romanização moderada dos relatórios de viagem Fadlan ao califa al-Muqtadir. Estes documentos são muito importantes do ponto de vista histórico, pois figuram entre os poucos relatos do estilo de vida e da cultura dos povos nórdicos.

O livro é de leitura fácil, mas a constante interrupção com notas-de-rodapé pode irritar aqueles que se prenderem mais a narrativa, mas com certeza irá deliciar aqueles que estão interessados em detalhes históricos.

O fato de eu não mencionar nada sobre o enredo pode suscitar a ideia de que se trata de um conto tedioso, mas tanto isso não é verdade que “Devoradores de Mortos” inspirou um blockbuster hollywoodiano: “O 13° Guerreiro” com Antonio Banderas.

Diversão garantida.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Protocolo Bluehand: Alienígenas - Eduardo Spohr, Alexandre Ottoni e Deive Pazos [Resenha]


Livro: Protocolo Bluehand: Alienígenas
Autores: Eduardo Spohr, Alexandre Ottoni e Deive Pazos
Editora: Nerd Books
Lançamento: 2011
Nota: 2.5 Ovnis radioativos [1 a 5]
Sinopse da editora: O Protocolo Bluehand é um conjunto de diretrizes e conhecimentos que farão a diferença na subsistência e resistência contra os mais diversos perigos ignorados pelo senso comum social.
O codinome Bluehand nasceu no site Jovem Nerd como sinônimo de uma pessoa curiosa e interessada, o típico nerd, aquele sujeito que, por sua inteligência e sapiência, tornar-se-ia indispensável em uma situação de emergência.
No entanto, esse termo deve ser extrapolado acima de um único indivíduo, se a raça humana aspira sobreviver a um evento de proporções cataclísmicas. Quem devemos procurar em uma sociedade fragmentada pela obliteração de organizações políticas, civis e militares? Se você leu este livro, já sabe a resposta.

O livro chegou até aqui sugerido pelo Sarará vulgo Shakao que recomendou e disse: - "É muito bão." - mas não achei tão bom assim. O livro é muito informativo e bem pesquisado, mas longe de ser um guia definitivo para qualquer coisa.

A leitura é rápida e interessante, o livro é muito bem ilustrado e diagramado. Mas não chega a ser épico. A parte mais interessante do livro é o Apêndice 1 que trás os relatos de aparições e abduções ocorridas no mundo todo. O livro seria bem mais legal se fosse do avesso mesmo, com mais relatos e um apêndice dizendo como sobreviver...

Eu escolhi ler esse livro porque o tema sempre me atraiu e foi escrito também por Eduardo Spohr, duas ótimas razões...

E na página 17:
"Os humanoides são assim classificados por sua anatomia, semelhante à humana, com tronco, cabeça, duas pernas e dois braços. Eles são sem dúvida a espécie que mais fez contato com os terráqueos - pelo menos na era moderna - e é a campeã em relatos de avistações e abduções."

Bom, eu continuo querendo acreditar e você?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pequena Abelha - Chris Cleave [Resenha]


Livro: Pequena Abelha – The Other Hand

Autor: Chris Cleave

Tradutor: Maria Luiza Newlands

Editora: Intrínseca

Ano: 2010

Nota: 5 máscaras do Batman

Sinopse da Editora: Não queremos lhe contar O QUE ACONTECE neste livro. É realmente uma HISTÓRIA ESPECIAL, e não queremos estraga-la. AINDA ASSIM, você precisa saber algo para se interessar, por isso vamos dizer apenas o seguinte:

Essa história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma dela precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa...

Depois de ler este livro, você vai quere comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como a narrativa se desenrola.


Este é um daqueles livros que te derrubam no chão e não param de chutar a sua cabeça até sua concepção de vida mudar, e seus velhos conceitos serem expurgados na forma de uma hemorragia nasal. De qualquer forma, acatando a solicitação da sinopse resolvi não falar da história diretamente. E do que vou falar então? Se eu não posso descrever o quadro então falarei das tintas e dos pincéis. Que tal?

O livro tem foco narrativo em primeira pessoa, que alterna entre duas personagens, eu já havia visto (lido na verdade) algo similar no livro “Meu Nome é Vermelho” de Orhan Pamuk (vencedor do Nobel de literatura de 2006), e excetuando estes dois livros, não li outros que adotem essa dinâmica.

Os personagens são tão absurdamente reais que você quase pode tocá-los, os degrades em tons de cinza estão todos ali. E muito por está habilidade de Chris Cleave de pintar personagens críveis, que você teme pela segurança das protagonistas.

A trama, embora simples, é bem tecida. Os pontos de virada e as motivações de cada personagem movimentam a história sem a lentidão arrastada dos livros clássicos, no entanto, não há aquela correria vazia dos livros atuais.

Agora não tenho muito mais o que falar sem dizer algo diretamente da história, mas só para deixar um gostinho, colocarei aqui um breve trecho (que não revela nada sobre a trama, fiquem tranquilos) que é um dos meus preferidos e por coincidência é da PÁGINA 17 do livro:

Nas pernas escuras da moça, havia muitas cicatrizes brancas pequeninas. E pensei: Será que estas cicatrizes estão no seu corpo inteiro, como as luas e as estrelas de seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço lhe que faça neste instante o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos de fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser um segredo, porque acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: “Eu sobrevivi”.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tequila vermelha - Rick Riordan [Resenha]


Livro: Tequila vermelha- Big red tequila
Autor: Rick Riordan
Editora: Record
Lançamento: 2011
Nota: 4 Ressacas de tequila [1 a 5]
Sinopse da editora: Aclamado pelo estrondoso sucesso da série de fantasia juvenil Percy Jackson e os Olimpianos — com mais de 900 mil livros vendidos só no Brasil e cujo primeiro livro, O ladrão de raios, ganhou uma adaptação bem sucedida para o cinema em 2010 —, o escritor Rick Riordan se volta para o universo adulto em um romance de mistério.
Primeiro volume de uma série vencedora de diversos prêmios literários, Tequila vermelha apresenta aos leitores o talentoso e complexo herói Jackson “Tres” Navarre, um ávido bebedor de tequila, mestre de Tai Chi e detetive particular sem licença com uma queda por problemas do tamanho do Texas.
Terceira geração de uma família texana — por isso o Tres de seu nome —, nosso protagonista retorna a San Antonio, sua cidade natal, dez anos após o assassinato do pai. Na companhia de seu gato Robert Johnson, que adora enchilada, Tres procura respostas, mas o que encontra é uma quantidade enorme de problemas. Quanto mais ele se afunda na busca por razões que o afastem de suas suspeitas, mais o crime do passado volta ao presente: envolvimento com a máfia, subornos em empreiteiras e astutos jogos políticos.
Fica cada vez mais óbvio que Tres mexeu num vespeiro! Ele é baleado, atacado, depois atropelado por um Thunderbird azul... e, ainda por cima, a antiga (e ainda desejada) namorada está desaparecida. Tres precisa resgatar a moça, entregar os assassinos do pai à justiça e dar o fora antes que a máfia texana o alcance. As chances de continuar vivo nunca pareceram tão distantes...

Um "Percy Jackson" para adultos foi a primeira ideia que me passou pela cabeça, agora sim, vamos ter sangue e ossos quebrados (sim, minha sede de sangue ainda alta esses últimos dias). E é exatamente isso que é adicionado na já conhecida narrativa do autor. Um pouco de sangue, uma pitada de violência, muita tequila e alguns defuntos.

O livro é uma obra de arte sobre o sarcasmo, uma lição de vida de como não viver a vida. Sempre com pitadas de humor negros e golpes de Tai Chi, o protagonista se envolve em 1001 confusões que até Deus duvida. Apesar da esperada metralhadora de clichês, podemos concluir que o autor escapa são e salvo.

O personagem que eu gostaria que tivesse outros livros é o Tres Navarre, o protagonista, um personagem maduro, bem desenvolvido e totalmente anti-herói. Pensando bem, estão criando uma legião de protagonistas anti-heróis, que sabem tudo, que tem uma personalidade péssima de se lidar, antissociais, que todo mundo odeia mas que no fundo são ótimos. Exemplos: o próprio House, Dr. Cal Lightman em Lie to Me, Patrick Jane em The Mentalist, Detetive James "Jimmy" McNulty em The Wire e Neal Caffrey em White Collar.
Seria essa a nova tendência mundial de protagonistas?

Enquanto isso, na página 17:
"- Então sabe o que eu disse para o pessoa? - Perguntou Jay. - Eu disse sem chance. Não é possível que eu tenha tido a sorte de o filhinho de Jackson Navarre ter voltado de São Gaycisco para iluminar a minha vida. Foi o que eu disse a eles."

Finalizando, o livro é bom, divertido de se ler, personagens bem construídos e muito bem encaixados na estória. Eu poderia dizer que é forte e áspero como uma dose de tequila, mas eu não bebo então, vou dizer que é quente e alegre como o verão de Campo Grande/MS.

E você, prefere sua coca com limão e gelo ou sua tequila com sal e limão?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A janela de Overton - Glenn Beck [Resenha]


Livro: A janela de Overton - The Overton window
Autor: Glenn Beck
Editora: Novo Conceito
Lançamento: 2011
Nota: 1.5 Teorias malucas de conspiração [1 a 5]
Sinopse da editora: Um plano para destruir os EUA vem sendo preparado há cem anos, e agora está prestes a ser colocado em prática... Alguém será capaz de impedi-la?
E se você descobrisse que tudo em que você acreditou até hoje não passa de uma grande farsa? Que a roupa que você veste todos os dias pela manhã, assim como o carro que você dirige não são escolhas suas? Que o governante que você elegeu na última eleição para comandar sua cidade e seu país também não depende de você? E se chegasse à conclusão de que toda autonomia e livre-arbítrio que você julga ter, na verdade, atendem a um outro comando que não as suas ideias e a sua própria vontade?

O livro chamou minha atenção pelo milhão de cópias vendidos e também por eu nunca ter ouvido falar dele. Ele conta uma grande e mirabolante estória sobre conspiração, bombas e malucos querendo tomar o poder e criar um mundo melhor. O problema é que a estória não é grande o suficiente pra alguma coisa acontecer, não é mirabolante o suficiente pra você dizer UAU e não consegue ser empolgante. Ou seja, não tem nada que promete ter.

A leitura foi rápida, e gostei muito da aula de história americana, seus fundadores, alguns lideres, aprendi sobre a constituição e sobre politica também.

O personagem que eu gostaria que morresse é Noah Gardner, o cara parece mais um ratinho correndo dentro de um labirinto do que um personagem principal, o cara vive sobre um trilho o livro todo, não há escolhas ou reflexão sobre o que fazer, apenas correr e fazer, como um script de filme.

Ná página 17: "Eli Churchill só teve tempo para iniciar uma oração silenciosa, mas não conseguiu terminá-la. Seu último apelo foi interrompido por um tiro à queima-roupa de uma pistola com
silenciador, e a última coisa que passou por sua cabeça foi uma bala dundum semiencamisada de ponta oca, 357."

Será que existe algo novo sobre conspirações ou tudo que tinha já foi escrito?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

As Portas da Percepção - Aldous Huxley [Resenha]


Livro: As portas da percepção/Céu e inferno - The Doors of Perception/Heaven and Hell
Autor: Aldous Leonard Huxley
Tradutor: Osvaldo de Araújo
Editora: Globo Livros
Ano: 1954
Nota: 4 doses de mescalina [1 a 5]
Sinopse da Editora: Este volume reúne dois dos ensaios mais importantes de Aldous Huxley sobre os efeitos da ingestão de drogas alucinógenas e as implicações mentais e éticas desta percepção humana, revelando a profunda dicotomia do autor que, ao buscar iluminações místicas inacusáveis pelo pensamento racional não esconde seu inconformismo com as limitações do corpo humano.




Elefantes voadores, hipopótamos bailarinos e relógios derretendo. Definitivamente “As portas da percepção” não é sobre estas coisas.

Em uma casa cercado de música e obras de arte, Huxley ingere mescalina. Assessorado de perto por seus amigos e pela esposa, ele documenta suas percepções.

Seu relato acurado, casa perfeitamente com a citação do poeta William Blake: "Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”.

Segundo o autor, a razão filtra a realidade. Onde o cérebro sobrepõe o mundo percebido com símbolos. A mescalina derruba este filtro, então o mundo se apresentar tal como é. Com todos seus detalhes e cores.

Um parágrafo da obra:
“Quando me levantei e pus-me a andar, eu o fiz com toda a naturalidade, sem erros de apreciação sobre a posição dos objetos. O espaço ainda estava ali; mas havia perdido sua primazia. A mente se preocupava, mais do que tudo, não com medidas e lugares, e sim com a existência e o significado.”

Como não fazer um paralelo com Sartre? “A existência precede e governa a essência”.

Longe de ser uma apologia as drogas, munido de argumentos muito bem edificados, Huxley discute magistralmente os limites da percepção humana, mas sem divagações vazias sobre especulações místicas.